segunda-feira, 15 de março de 2010

"Saboreando a saudade"

Hoje, 15 de março, duas queridas grandes amigas fazem aniversário. Ana Paula Caixeta e Mariana Nunes. Decidi fazer uma homenagem às duas, que estão relativamente longes de mim, seja pela distância física, ou tão somente pelo caminho diferente tomado na vida. Mas são, de qualquer maneira, muito queridas, e que não fogem da minha memória, nem perdem o carinho que tenho há anos. A elas, desejo não só aquele "parabéns" de praxe. A elas, desejo que a vida seja intensa, sempre. Que continuem pessoas exemplares. Que tenham sempre muito amor em tudo e que o sucesso seja apenas uma consequência das escolhas, dos caminhos, das lutas. Pessoas especiais, não preciso desejar que sejam.

Quero dizer que tenho muita saudade das duas e, para homenageá-las neste dia, resolvi publicar o texto de uma delas. Ana Paula escreveu o que eu gostaria de escrever para definir esse sentimento profundo da saudade, do "sentir falta", em suas mais variadas formas e manifestações. Sentimento que eu e qualquer um sente e que todos temos alguma dificuldade em definir. Ana Paula soube fazê-lo bem! A nós, resta-nos ficar aqui "Saboreando a saudade":



Saboreando a saudade
por Ana Paula Caixeta

Saudade é doce. E como tudo que é doce, seduz através dos olhos. Olhos que lacrimejam; gotas de uma tristeza que transborda do rio de emoções cujo trajeto desfigura a face mais bela da dama mais admirável. E há risos e choros, misto de lembranças e projeções - de um futuro incerto. De que vale, contudo, a certeza? Se são das dúvidas mais incipientes que surgem as teorias mais célebres, o certo é a imprecisão das idéias – e dos momentos. Saber aproveitar esses pequenos segundos de devaneios poderia fazer de um simples leitor o mais glorioso escritor; ou de um singelo admirador o mais galante conquistador.

Saudade é de um amargo desestimulante. E afasta o melhor sabor deixado pelo tempo no qual não se pode parar – sequer voltar. E traz à tona as piores situações, as mais marcantes decepções. Não há como esquecer, tampouco reviver – ou mudar. O passado não se muda; o futuro não se sonha; o presente, dizem, vive-se. Ainda que viver traga dor e angústia.

Saudade é azeda. E o acre da saudade encontra-se justamente no seu conteúdo tolo e desconcertante. Nem o açúcar do melhor chocolate, ou o mel da melhor qualidade são capazes de reverter o ácido das cicatrizes que marcam a realidade inglória de uma vida boêmia.

Saudade é salgada. E esse sal se projeta nas águas do mar, escondendo nas profundezas mais longínquas as palavras ditas aleatoriamente e esquecidas em um baú lacrado. Como piratas, desvendam-se seus mistérios e abarcam-se feito tesouro intocável os pensamentos formados, as frases prontas em um tempo de inspiração. E não há mais dicionário que explique o significado daquele amontoado de letras. Há que se sentir, novamente.

Saudade é assim, um misto de sensações e gostos. Ter paladar apurado é saber reconhecer cada sabor da saudade em seus infinitos momentos, fazendo disso maravilhosas receitas de como viver na ausência de muitas pessoas queridas ou mesmo de objetos e anseios deixados lá atrás, na caixinha da memória. Bem da verdade, dentro do coração.

3 comentários:

Ciro Ribeiro disse...

A arte da vida consiste em perceber a saudade de maneira doce e saudável. A Ana mandou muito bem no texto. Eu passo algum tempo aqui dos dias saboerando saudades.

Ana Paula disse...

Sr. Cavarzan, sua intenção era me fazer chorar?! Pois bem, não conseguiu. Haha. Hoje é um dia feliz em Uberaba, por incrível que pareça. Não só pelo meu aniversário, mas pq eu entendi que devo considerá-lo assim sempre, ainda que as várias facetas da saudade abriguem dentro de mim. Muito obrigada pelos parabéns e por publicar esse texto [mesmo eu achando que não valha a pena.. vc me conhece: um pouco de crítica não faz mal, né?!]. Se vir a Mariana, mande um abraço pra ela em meu nome.

Beijo, queridíssimo!

Aline disse...

Saudade de vc, Carlitos! ;~