terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Das cartas que eu não escrevo mais (a série)

MOÇA, OLHA SÓ O QUE EU TE ESCREVI

Foi tudo isto que eu cacei durante algum e bom tempo: de borboletas a papel de caderno com poemas riscados. Não penso mais na carta ou no poema que não te escrevi, muito menos naquela flor que não foi entregue em suas mãos. Há tantas cartas e tantas flores, e lindas flores que, estas sim, são suas porque foram por mim dadas. Sim, é claro, eu ainda falo de flores, de várias agora, não mais de apenas uma, porque...

Há algo diferente no ar... Afinal, eu mudei de tom. Você mudou de tom. Colorido agora? Preto-e-branco já foi, era, já passou... Uma surpresa? Uma capacidade de te abalar, de te deixar assim, meio boba? Desconcertada, seria a palavra mais certa, não? Desconcertado fico eu e, assim, meus olhos ficam a procurar os seus; e a procurar seu rosto esperando que você os arranque de mim para que, logo em seguida, coloque-os de volta.

Ainda falo dos encontros que não aconteceram e dos desencontros, porque são tantos. Porém, ouso agora pensar nos que aconteceram, no filme que vimos, do jeito que vimos, da maneira que sentimos. Afagos, sua voz, mãos que tanto me estremecem, sorrisos, momentos, violinos, balbucias... Mesmo que por pouquíssimo tempo, os violinos souberam cantar a beleza do momento, ainda que com som triste. E assim foi exatamente o momento: belíssimo. Tudo isso eu costumo chamar de... caprichos do tempo.

Capricho do tempo... É pensar, além de tudo, que hoje vivemos o presente daquilo que imaginamos ser futuro há quase cinco meses. É, não há mesmo necessidade em se entender quando a palavra já é certa, na hora certa, no tempo verbal certo, talvez mais-que-perfeito. E o acaso nada tem a ver no nosso caso. Sim, de uma vez por todas, este é um caso sem acaso. Sabemos o que fazemos. E do nosso amor a gente é que sabe, mesmo.

Porque descobri que se eu quebrar, você se arrisca. Que se eu quebrar, você me cola, sim, e me reinventa. Você me cola, me cala, me cuida, me completa, me espalha, e desconcerta, porque é você que sabe como ninguém. Ou eu é que sei te fazer isso tudo? É, acho que quando quebramos você faz com que nos juntemos completos, assim, dessa forma.

Eu sei que naquele jardim devia ter muitos insetos, que não aquela, aquela mesma... E já que não podemos fazer com que essa mesma borboleta, de muito tempo atrás, volte até nós e nos encontre, deixe então que eu a pintarei pra você, com as mesmas cores de agora. E então será eternizada como algo que não era só uma borboleta, assim como é eternizado tudo que eu já te escrevi, ou que escrevi porque você, simplesmente, existe.

Um comentário:

Juliana Marton disse...

"isso não é româââântico" (estou citando Carrossel, deliberadamente).

adorei, Carlos! beijos. *: